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    [Resenha] Destino & Destruição – Andreia Nascimento

    Olá, pessoas bonitas! Tudo bem com vocês?

    Hoje é dia de trazer a resenha do segundo livro da Trilogia Legado que me fez ler todos os 3 livros em apenas uma semana. Foram mais de 1000 páginas em 5 dias! Amo uma autora, amo uma trilogia!

    Lembro que por se tratar de uma trilogia contínua – ou seja, um livro começa exatamente onde o outro termina – é uma missão impossível tratar desse livro sem conseguir falar dos acontecimentos do livro anterior. Você pode ler a resenha de Destino & Fúria aqui.

    Sinopse: A destruição continua avançando sobre a família Bonnet. Diante da incerteza de Charlotte, todos os planos mudam e Carlos Eduardo terá que reverter todos os erros que cometeu.

    Além de convencer Charlie a voltar atrás, terá que descobrir o que farão para que sua irmã não se case com seu ex amigo. E no meio disso, impedir a queda do império.

    O inimigo mirou em outro alvo; ele continua sem rosto e sem voz, mas desta vez ele vem para terminar o que começou com Charlotte.

    Charlie vai se envolver no meio de um jogo e enquanto observa os peões caírem a sua volta, tenta se manter sã e viva. A única coisa que eles sabem é que precisam encontrar seu inimigo antes que ele vença esse jogo. Só precisam descobrir por onde começar.

    Em Destino & Destruição, por um mal-entendido, Charlie e Carlos Eduardo se desentendem, o que desencadeia uma sucessão de eventos que não foram planejados. Cadu, Charlie, Maria Alice e Dan precisam expor todo o plano para Mathéo Bonnet, fazendo assim com que mais pessoas saibam que a cura para a praga que assola o império da família de Cadu vem de Charlotte Debet. A mulher que antes era tida como impostora, é a única que pode salvar a todos.

    “Tragédias nos destroem por inteiros, as vezes sem chances de voltar.”

    Mas a relação de Cadu e Charlie ainda está longe de alcançar um nível de estabilidade, após a rejeita de Charlie ao pedido de Cadu e sua volta ao amanhecer com Lucca Guerra – um antigo amigo do Herdeiro e Dan, mas que nunca tiveram uma relação de amizade sincera – fazendo com que, além de mais uma pessoa envolvida que é a confusão da vida dessas pessoas, o falso casal precise deixar bem claro que antes de mais nada, a confiança é necessário em qualquer tipo de relação. Verdadeira ou não.

    “Quando uma pessoa diz para você que não aguenta passar por aquilo sozinha, você segura a mão dela. Soltar é romper. E nós rompemos quando você não confiou em mim.”

    Com Charlie assumindo os estudos da fórmula, Cadu assumindo o lugar do pai na presidência da empresa, Maria Alice e Dan procuram um jeito de fazer o que desde o começo do plano era a parte que os envolviam: casar-se. Mathéo não vê mais benefícios nesse casamento, ao menos não tanto quanto o casamento com um outro certo herdeiro, contudo, Dan não aceitará isso tão facilmente. Não mesmo.

    “Só a mínima ideia de deixá-lo, me enlouquece. Vou até o final e eu vou sobreviver.”

    Vocês conhecem a Lei de Murphy? Não há nada tão ruim que não possa piorar. Charlotte sente isso na pele. Todos os dias. Todo dia matando um leão diferente para poder se manter viva e manter vivos a quem ela tem tanto apreço. E tudo isso porque o criminoso que criou a praga não quer que ela acabe e por isso ameaças começam a ser feitas e o terror que é ser a Charlie passa a ser sufocante em tantos níveis.

    “― Seu irmão não é preciso como um cálculo matemático. Cadu é volúvel de várias maneiras. Ele tem as próprias ideias sobre a vida, sobre como se sente. Não é como se eu fosse parar em sua frente, confessar algo e ele fosse receber como a melhor notícia do século.”

    E eu simplesmente não consegui largar esse livro, pois tudo segue um ritmo frenético demais e que me envolveu de um jeito que eu nem sei explicar direito. Todos os personagens são adultos, vivem facilmente nas suas casas dos vintes anos, mas é interessante ver o amadurecimento deles conforme as situações acontecem. Conforme tudo desmorona e se reconstrói em escalas de tempos pequenas e intensas.

    A Andreia conseguiu criar um universo onde todas as pontas deixadas pelo primeiro livro foram ainda mais reforçadas nesse segundo e com a curiosidade ainda mais forte para os leitores. Termino esse segundo livro tendo forte palpites sobre a inclinação do caráter de vários personagens, mas sem um palpite certo de quem seria o mandante por trás de todo o desastre que está acontecendo. E isso para mim é perfeito! Ainda que tenha me deixado super angustiada e pedindo um milhão de spoilers para a autora hahaha

    “O mundo é nosso ringue pessoal sem agressão física, imagina se introduzirmos agressões, chegaremos a um nível meio animalesco.”

    Um outro ponto que considerei alto foram os poucos, mas existentes, momentos leves que esses personagens viveram. No inferno pessoal de cada um, ter momentos que se assemelham ao Paraíso é tudo que a gente mais quer. Tudo que a gente mais precisa.

    “Jamais trairia alguém que amo, estou fazendo tudo isso para que ele não caia, tudo para que viva, porque é sobre isso esse sentimento, às vezes, amar é sacrificar um pouco de si. Tudo está perdendo o sentido para mim, ou na verdade, talvez nunca tenha tido.”

    E eu só posso dizer uma coisa: a Andreia só melhora nessa trilogia. Santo Senhor, obrigada por me fazer ler essa obra divina!

    “Para mim, o bom jogador não é aquele que questiona as regras, mas que as quebra independentemente de qualquer coisa, e é exatamente o que Ali faz.”

    Os livros estão disponíveis na sua versão digital pela Amazon, assim como os demais livros da autora.

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    [Resenha] Destino & Fúria – Andreia Nascimento

    Olá, minhas pessoas bonitas! Como vocês estão?
    Na primeira resenha postada sobre uma obra da Andreia Nascimento, comentei o quanto a escrita dela me agradou e eu lembro que quando a Trilogia Legado foi lançada causou o maior furdunço nas redes sociais, então né, eu PRECISAVA ler.

    Os três livros foram lidos em menos de 7 dias, com muitos comentários com a Andreia, muitos surtos e muitos tic tacs para me atormentar. Vamos ver o que me fez amar e devorar tanto essa trilogia?

    Sinopse: Carlos Eduardo estava pronto para morrer.

    Ele sempre foi a primeira opção de seu pai para comandar o império dos Bonnet, mas sua doença o impossibilitou. Longe de todos, não sabia o que estava acontecendo com sua família, até que Charlotte bate à sua porta com um pedido de socorro. Estava sendo caçada por ajudar a empresa dos Bonnet a encontrar a cura para uma praga que se alastrou pelo vinhedo.

    O destino de Cadu mudou quando recebeu uma segunda chance de viver, todas as responsabilidades voltaram com mais intensidade. Ele terá que lidar com a fúria de sobreviver, quando já tinha abraçado a morte. Terá que proteger uma desconhecida que pode salvar seu império.

    Eles não sabem quais são os rostos de seus inimigos, então precisam fugir de todos. Qualquer pessoa pode representar o risco final.

    Carlos Eduardo Bonnet é o herdeiro de um império milionário construído pela produção e comercialização de vinho no Brasil e exterior, parece ser uma vida muito confortável se não fosse por um detalhe, um importantíssimo detalhe. Cadu tem um câncer que o está matando desde sua adolescência. Bem, o estava matando.

    “Todo homem deve aceitar sua morte, mesmo que não faça ideia de quando seja.”

    Cadu teve nove anos para se acostumar com a morte, tanto que até carinhosamente a chama de Cristtine e sua família nunca fez esforço para que todos os tratamentos e medicamentos estivessem disponíveis para o herdeiro dos Bonnet, até que um dos vários tratamentos funcionam e Cadu agora vive. Um cara que estava acostumado a morrer, precisa aprender a viver sabendo que, muito provavelmente, haverá um amanhã para ele.

    “Estou sobrevivendo há tanto tempo, que desaprendi a viver. Na verdade, acredito que não quero isto. Viver requer planos para o futuro, e eu não tenho nenhum. Meu futuro sempre foi zero; não uma página em branco como aqueles textos motivacionais, zero mesmo, da expressão de não existir.”

    Antes da descoberta da sua Cura, Cadu foi curtir a noite numa boate e conheceu Charlotte Debet, uma grandiosa engenheira química que corre muito perigo ao descobrir uma cura milagrosa para algo que é do interesse do Cadu, e bem, dos grandes tubarões do meio empresarial.

    Charlie é extremamente inteligente, mas essa inteligência vem com um preço muito alto. Crescendo sem a atenção de sua mãe adotiva, Charlotte sempre foi autossuficiente; viu em Fernanda, sua amiga morta pelas mãos dos criminosos, em algo que ela ainda não tinha visto em outras pessoas e foi ela quem a estendeu a mão e ajudou quando o término do seu noivado chegou e as perseguições iniciaram. Charlie tem algo que para a família de Cadu é muito importante, então após um encontro premeditado pela sua parte, a loira aparece na casa de Cadu aplicando um golpe que sai pela culatra, mas no fim, decide ser sincera e abrir o jogo. E Cadu, que só queria um pouco de paz ao cuidar do seu café e depois subir para seu apartamento, se vê no meio de um jogo mortal.

    “É realmente um maldito Gênio do Mal. Tudo nela é apenas perverso, mas com a porra de um rosto angelical, como o próprio diabo deve ser.”

    “Em está certa. O nome da minha vida é Charlie. Mas não porque amo a vida, mas porque eu a odeio.”

    Mas vejam só: Cadu antes morria, mas agora vive. Só que a morte iminente passou para o vinhedo e o império dos Bonnet. Uma praga, instalada de forma criminal, nas plantações da família ameaça a todos, principalmente a vida de Charlie, que como dito antes, descobriu a cura milagrosa para a praga.

    “Charlie é meu escudo para um casamento e eu sou seu escudo para morte. Ambos egoístas e altruístas. É um paradoxo.”

    Cadu e Charlie contarão com a ajuda de Dan Monthé, melhor amigo de Cadu, e Maria Alice Bonnet, irmã do herdeiro, para que o jogo aconteça e as melhores jogadas sejam lançadas. Eles precisam correr contra o tempo e evitar ao máximo os estragos que virão com a jornada que eles agora enfrentarão. Dan, formado pela Harvard, Maria Alice formada pela Stanford, Charlie formada pela federal do estado e Cadu? Bem, ele tem o diploma do ensino médio. Mas juntos, com seus vários níveis de educação eles planejam um golpe perfeito. Ou quase.

    “Eles subestimam minha inteligência, mas às vezes, esta é a melhor forma de passar pela vida: se fazendo de burro.”

    Juntos, eles se unem por interesses próprios. Juntos, eles descobrem que o destino tende a ser impiedoso e que a Fúria é o parceiro ideal quando sua vida está em jogo.

    “Fúria por ter que morrer. Fúria por ter que viver. É um maldito ciclo vicioso.”

    EU SIMPLESMENTE PIREI NESSE LIVRO! Temos um psicopata a solto, que por mais que desconfiamos, ainda não se sabe qual o principal fator que o levou a começar essa caçada, mas o que sabemos é que ninguém está disposto a perder.

    É importante saber logo de cara que esse livro, assim como toda a trilogia, aborda muito mais que somente o suspense por trás de quem é a pessoa por trás da praga criminosa, das mortes e destruições; é um livro que aborda sobre a vida (e morte), sobre as más escolhas e as consequências, sobre a amizade – ainda que iniciada de uma forma não muito convencional –, sobre o caminho trilhado para chegar onde se quer e principalmente, a melhor e pior versão que todos nós temos dentro de nós mesmo. Eu acredito firmemente que cada um de nós tem um pouco de herói e vilão dentro de nós, Destino & Fúria nos mostra bem essa faceta.

    “O mundo tem medo de pessoas inteligentes e elas amam a ignorância massiva que está espalhada em todo globo. Fuja de multidão, seja perfeita, usar o cérebro dói, aparentemente.”

    Quanto aos personagens, adoro suspirar por um bom mocinho perfeito, mas também adoro perceber atitudes reais neles. Cadu, Charlie, Alice e Dan de mocinhos perfeitos tem exatamente um total de zero %, mas o que me cativou neles foi justamente esse fato. E Andreia fez um trabalho sensacional nesse quesito, não somente com nosso casal principal, mas também com todos os personagens que apareceram no decorrer da história. Os principais, secundários, terciários e todos os níveis foram muito bem desenvolvidos.

    “Mas é como a lenda da Fênix. Nada nunca me derrubou, porque você era a cama elástica na base do meu chão. A força da queda me impulsionava mais rápido para levantar. Obrigada por não ter morrido. Obrigada por ter sobrevivido. Gosto de pensar que foi por mim.”

    O livro é um suspense misturado com ficção cientifica, então tudo quem fazer sentido o maior sentido possível e faz. Mesmo que alguns pontos ainda fiquem abertos, porque este é o sentido de fazer uma trilogia: deixar ganchos para os próximos livros.

    Sintetizando: Destino & Fúria foi um livro que em tudo me surpreendeu, seja porque é um tipo de escrita literária completamente diferente da de Can I Be Him, seja pelos personagens super bens construídos, pela profundidade da história e a coerência em todas as estrofes.

    Se você gosta de um bom suspense e uma história intrigantes, bem, Destino & Fúria é para você!

    “O que escorre por seus dedos, sou eu dizendo a você que não me importo com sua escuridão, mas eu nunca serei sua luz, somos dois pontos apagados.”

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  • InResenhas

    [Resenha] Can I Be Him – Andreia Nascimento

    Olá, minha gente! Tudo bem com você?

    Após trazer as Primeiras Impressões do Can I Be Him, o novo lançamento da Andreia Nascimento, cá estou eu para, enfim, trazer a resenha deste clichê lindo e maravilhoso que me fez suspirar e ficar (ainda) mais encantada pelo Arturzinho lindo do meu coração. Vamos lá?

    Sinopse: Quando Elis se mudou para o prédio cinco anos atrás, não esperava que em menos de cinco minutos teria mais quatro amigos para dividir aquele andar. Da forma mais aleatória, deparou-se com seu ex-namorado Ian e seu amigo Artur.

    Quando Artur decidiu sair da casa do seu pai, estava tentando provar para si que era capaz de encarar o mundo sem as paredes de concreto que o cercou por toda sua vida. Seu pai havia seguido em frente da morte de sua mãe, construindo uma nova família. Assim, ele se deparou com o novo.

    Cinco adultos com muito em comum, principalmente, a novidade de começar uma nova vida. Aos poucos eles se tornaram suas próprias famílias. Até que Artur tornou-se melhor amigo de Elis.

    Até ser impossível ser apenas amigos.

    Can I Be Him nos apresenta Artur, Ian, Elis, Catarina e Nathalia. 5 amigos que dividem um andar. O destino os uniu e fez com que esses caminhos cruzados mudassem a vida de cada um deles de uma forma única.

    “Por que nos preocupamos tanto com os finais felizes se o mundo promete acabar em apocalipse?”

    A forma como o caminho desses 5 estão interligados é, no mínimo, interessante. Artur, nosso mocinho lindo de morrer, é um dentista com uma família super complicada e com feridas que ainda não foram cicatrizadas, em um dos encontros que a vida promove, ele conhece Ian, um cara super bacana. Enquanto ainda se adapta a sua nova rotina em sua nova casa, contando com o Ian como vizinho da casa ao lado, Artur conhece Elis, a nova moradora de uma das casas do andar, ela que despertou o interesse dele logo de cara e talvez, e só talvez, isso tenha a ver com uma lindíssima tatuagem que a moça possui nas pernas.

    “Não acho que um amigo precisa ser recompensado por interpretar seu papel. Nunca pedi nada em troca, nem mesmo espero que peça desculpas ou perdão, tudo que fiz por ele foi sem esperar nada em troca. Cuidar de outra pessoa é isso, apenas fazer o que acredita ser certo”

    Mas tudo, aparentemente, acaba antes que comece devido a Elis ser a ex-namorada do Ian. A nova moradora divide o seu novo lar com sua amiga Catarina que é LOUCA! Socorro, eu amo essa mulher! Com seu jeito extrovertido e sem filtro nenhum, Catarina cativa a todos, ou bem, a quase todos. E para fechar nosso quinteto, temos Natalia. A cozinheira do grupo e a praticante de meditação, que bem, não funciona.

    “As barreiras impenetráveis do afastamento iminente, alguns muros foram feitos para durar.”

    Com um pulo temporal de 5 anos e juntos, Elis e companhia nos mostram que a vida adulta tende, entre muitas coisas, a ser reveladora e exigirem que decisões precisam ser tomadas e atitudes repensadas.
    E mesmo que a atração ainda permanece escondida sob camadas dentro de Elis e Artur, ela ainda está lá e chega a um ponto, que bem, as camadas se rompem e tudo vem à tona. Mas a amizade, a relação maravilhosa que eles possuem precisam, acima de tudo, permanecer preservada.

    “Sempre é sobre como você se levanta, nunca a forma que caiu.”

    Como diz na sinopse, esse livro é um clichê romântico em que o melhor amigo se apaixona pela melhor amiga e vice-versa. Mas é muito mais. Antes de tudo, antes que qualquer coisa ocorra, eles precisam se encontrar. Artur tem muitas feridas, feridas não cicatrizadas e que são bem mais profundas do que ele imaginava; já Elis, ela simplesmente não consegue não estar no controle e quando ela ver uma parte do seu mundo, uma parte tão importante dela, ruir, ela simplesmente precisa se encontrar, antes de encontrar um amor. E Artur, bem, o caminho é parecido também. Já que não podemos entrar em um relacionamento se não estivermos totalmente entregues.

    “Pessoas precisam entender, não somos malditas peças de quebra-cabeças. Cada vez que desmonta um ser humano, ele fica desconfigurado.”

    Andreia trata o romance de uma forma sensacional e singela! Eu simplesmente DEVOREI esse livro, não tive tempo de conversar com a Andreia, só parei quando terminei e fazia tanto tempo que um romance não me pegava assim.

    Vocês sabem que eu sou bem crítica quando o assunto é romance e esse tem os elementos que muito aprecio. Personagens fortes e completos por si só, personagens secundários intrigantes e cativantes, um romance real e que faça sentido, uma amizade além do explicável, um enredo linear e plot twist jamais esperados!

    “– Você está pronta para ser ela?
    – Só se prometer ser sempre ele.
    – Até o dia em que você permitir.”

    E deixo aqui um adendo para o Artur: ser contadora não é nada da profissão mais sem graça da terra. Respeita minha profissão mocinho, aiaiaiai! Além de termos a mesma profissão – na verdade, ainda estou estudando – me identificar com a Elis foi fácil. Ela é muito amiga, muito família (do jeito dela), muito ela e segura o mundo todo com uma força descomunal. Não é aquelas personagens mil e uma utilidades. Ela é só ela. E “só” é somente uma forma de falar. Ela é muito e demais.

    Foi meu segundo contato com a escrita da Andreia e esse foi muito mais surpreendente do que o primeiro; gosto da forma leve que a Andreia aborda os temas importantes, como ela sempre tira uma carta da manga (e tem muitas cartas!) e como ela abordou esse livro num tempo considerável curto para os personagens, mas que fez TOTAL sentindo para a plenitude da obra em si. Outro ponto admirado foi o fato dela não se ater a fazer 3 parágrafos só de descrição dos personagens, as descrições viam, mas naturalmente e de forma que fez com que a leitura fosse ainda mais agradável
    Sério, eu amei tanto esse livro que só penso que todo mundo deveria ler essa obra de arte. Perfeito para quem gosta de romances bem feitos, bem construídos e cativante até dizer chega.

    ”Não estava flutuando, não estava desejando estar enterrado. Não estava me sentindo invisível. Porque quando a seguro é como se fosse possível superar qualquer pessoa que á esteve em minha vida.”

    No mais, deixo só um recado para a Andreia: EU QUERO O ARTUR PARA CHAMAR DE MEU!

    “—Às vezes, nos perdemos sem perceber —justifico. —Na verdade, acredito que seja mais fácil do que nos encontrar.”

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  • InGalera Record, Resenhas

    [Resenha] O ódio que você semeia – Angie Thomas

    Olá, minhas pessoas bonitas! Tudo bem com vocês?

    Hoje eu vim trazer a resenha de um dos livros que se tornou um dos meus favoritos, assim com a sua adaptação. O Ódio que Você Semeia é um livro que aborda temas importantes e nos faz refletir sobre o mundo em que vivemos e como as pessoas, as grandes autoridades e pessoas comuns, nos veem, nós, os negros.

    A leitura foi feita em conjunto com o grupo literário Recifes Literários, no qual discutiremos sobre no nosso próximo encontro, que ocorreu dia 07/07, não deixe de nos acompanhar no instagram.

    Sinopse: 1º lugar na lista do New York Times. Uma história juvenil repleta de choques de realidade. Um livro contra o racismo em tempos tão cruéis e extremos. Starr aprendeu com os pais, ainda muito nova, como uma pessoa negra deve se comportar na frente de um policial. Não faça movimentos bruscos. Deixe sempre as mãos à mostra. Só fale quando te perguntarem algo. Seja obediente. Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça essas regras. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o amigo de infância da garota está no chão, coberto de sangue. Morto. Em luto, indignada com a injustiça tão explícita que presenciou e vivendo em duas realidades tão distintas (durante o dia, estuda numa escola cara, com colegas brancos e muito ricos – no fim da aula, volta para seu bairro, periférico e negro, um gueto dominado pelas gangues e oprimido pela polícia), Starr precisa descobrir a sua voz. Precisa decidir o que fazer com o triste poder que recebeu ao ser a única testemunha de um crime que pode ter um desfecho tão injusto como seu início. Acima de tudo Starr precisa fazer a coisa certa. Angie Thomas, numa narrativa muito dinâmica, divertida, mas ainda assim, direta e firme, fala de racismo de uma forma nova para jovens leitores. O ódio que você semeia é um livro que não se pode ignorar.

    O ódio que você semeia (que eu vou usar a sigla THUG, que é abreviação do nome em inglês, tudo bem?) nos apresentará Starr Carter e sua vida quase que dupla, que terá uma mudança de 720° graus após ver seu amigo de infância sendo assassinado de forma totalmente inequívoca por um policial.

    “Eu sempre disse que, se visse acontecer com alguém, minha voz seria a mais alta e garantiria que o mundo soubesse o que aconteceu. Agora, sou essa pessoa, e estou morrendo de medo de falar.”

    Khalil Harris podia ser muitas coisas, até mesmo um traficante. Mas acima de tudo, era um dos melhores amigos de Starr, e quando ela viu seu amigo sendo morto pela arma de um policial que achou que o jovem portava uma arma, quando somente estava com uma escova e de cabelo e queria ter certeza que a amiga estava bem, Starr desmorona. E tudo muda.

    Crescer em um bairro onde há gangues dividindo o bairro e a busca pelo poder é tão grande quanto a pelo medo, fez com Starr e todos os demais moradores soubesse que assassinatos contra jovens negros ocorriam de forma demasiada, e muitas vezes inequívoca, como podemos citar o exemplo de Khalil, mas quando foi com seu amigo em seus braços, Starr não pôde se calar. Ela precisava usar sua arma. A arma certa. Sua voz!

    “É por isso que seu nome é Starr. — Ele me lança um leve sorriso. — Minha luz durante toda aquela escuridão.”

    Sei bem o quanto a cor de uma pele pode pesar num julgamento, fomos criados a ter medo dos negros, fomos ensinados que preto se for rico, ou roubou, ou deu muita sorte. Mas não foi merecedor. Nunca merecedor. E ver a forma como a Angie Thomas trata o racismo, o preconceito e o pré-conceito nas variedades idades é um soco na boca do estômago. De todos nós.

    “‘Às vezes, você pode fazer tudo certo, e mesmo assim as coisas dão errado. O importante é nunca parar de fazer o certo.’”

    A Starr foi uma personagem que me cativou desde o início, mesmo que ela passe por aquela fase de ser duas pessoas em dois lugares diferentes, já que morando no Garden Haigths, onde predomina as famílias negras, e estudando na Williamson, onde predomina os filhos brancos, é quase impossível você agir do mesmo modo. Gosto como ela amadureceu rápido devido as circunstâncias, mesmo que de maneira nenhuma ache que tenha sido o melhor caminho. Mas já que aconteceu, devemos permanecer nele.

    “Ter coragem não quer dizer que você não esteja com medo, Starr — diz ela. — Quer dizer que você segue em frente apesar de estar com medo. E você está fazendo isso.”

    Acho incrível como a autora levou toda uma situação de naturalidade para as situações passadas pelos personagens, como fez com que tudo fizesse sentido e encaixasse perfeitamente com a realidade muita gente. Sou apaixonada na criação dos personagens, se a Starr foi feita de uma maneira genial, a Angie não restringiu isso somente a ela, todos os Carters conquistaram meu coração. A força, a coragem e o amor que move essa família é de arrepiar e aquecer o coração.

    Aos 16 anos achamos que vivemos no topo do mundo, até que algo nos tire de lá. Para a Starr foi a morte do Khalil, mas assim como caímos, precisamos nos reerguer. E isso fica para, além da família, os amigos. A relação da protagonista juntamente com seus amigos e namorado foi puramente bonita. E real. Quer dizer, nem tudo foi bonito. Mas, sim, tudo foi real. Infelizmente a vida não costuma ser bela todos os dias do ano, né?

    “Esse é o problema. Nós deixamos as pessoas dizerem coisas, e elas dizem tanto que se torna uma coisa natural para elas e normal para nós.”

    THUG é claramente uma crítica velada a forma como estamos ensinando as nossas crianças a viverem, como explicado no filme, THUG LIFE é a abreviação para “The Hate U Give Little Infants Fucks Everyone” que se traduzirmos chegaremos em “O ódio que você dá as pequenas crianças f*de com todo mundo” e gente, sabe quando você escuta uma frase e ela é somente uma frase até que você perceba o real significado dela? Assim foi com Thug Life para mim. Nunca mais será mesma. Nunca.

    Assim como o filme me arrepiou e me fez chorar e pensar em muitas coisas, o livro me tirou totalmente da zona de conforto e deixou questionamentos importantes. O ódio que você semeia é um livro que – mesmo – deveria ser lido por todos. A mensagem por ele transmitida é uma das mais lindas que já vi, e li. E além de linda, é real. É aplicável ao nosso dia a dia. E precisa, mais do que nunca, ser praticada.

    Não podemos – não devemos! – deixar os nossos crescer em um ambiente hostil, sem tolerância e que uma cor de pele vale mais do que verdadeiramente somos. A gente vale mais. Muito mais.

    “Quando se vê o quanto uma pessoa está fragilizada, é o mesmo que vê-la nua, e não tem como olhar para ela do mesmo jeito.”

    Não podemos deixar que a carne mais barata do mercado seja a carne negra. Não podemos deixar que nenhuma carne de qualquer que seja a cor tenha valor.
    A vida do Khalil importa. A nossa importa. A de todos nós. Sem exceção.

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