
Oi, gente! faz tempo que eu não coloco minhas crônicas aqui e colocar elas aqui nada mais é do que colocar elas para fora da minha cabeça que não cala um só segundo.
Não sei se ela vai e de qual maneira ela vai te alcançar, mas esse texto é sobre como a música de tim bernades parece ter sido escrita baseada em uma sessão de terapia minha.
um beijo.
Estou viciada em “A Balada de Tim Bernardes”, de Tim Bernardes. Não me surpreenderia se ela aparecer no meu top 5 da retrospectiva do Spotify. Acho que o principal motivo é simples: ela diz quase tudo o que penso nesse momento da vida atualmente.
Tenho 24 anos, quase 25, e, há pelo menos dois, sinto que vivo presa na famosa crise dos 20 (ou será que desde que realmente entrei nos 20?). Ao mesmo tempo, me percebo ainda grudada na pessoa que era antes da pandemia – que ainda não estava na casa dos vinte anos.
Como assim 2020 já ficou cinco anos para trás?
Assusta pensar nisso. Porque, sim, vivi muita coisa, conquistei, realizei sonhos. Mas, ao mesmo tempo, ainda estou longe da versão de mim que imaginei aos 18, quando projetava quem seria aos 24.
E está tudo bem. Mas não deixa de ser assustador.
Na música, Tim Bernardes canta duas frases que considero geniais — e que vez ou outra sempre aparecem nas minhas sessões de terapia:
“Mas é que quanto mais eu me adianto
Anda pra frente o ponto que eu quero chegar
E acabo sempre atrasado, sem ninguém do lado.”
Essa parte sou eu na terapia, tentando explicar o que sinto. Enquanto busco pertencer ao agora, a sensação de atraso me persegue. E, na pressa de alcançar o que idealizei, percebo que o ponto de chegada sempre se move para mais longe e isso me deixa desesperada.
Talvez por olhar ao meu redor e ver minhas amigas casadas, com casas próprias, filhos, em cargos maiores, viajando o mundo e eu estando aqui. nesse lugar que é tão meu. de todos os jeitos. bons e ruins.
“Vai, meu filho, encontra um jeito
De ser aqui mesmo o que você sonhar.”
E essa é minha psicóloga me respondendo toda vez. Mesmo sem estar onde imaginei, preciso aprender a fazer deste lugar o espaço em que me sinto pertencente, ainda que saiba que não é definitivo.
Uma das maiores lições desses 24 anos tem sido justamente essa: pertencer é diferente de permanecer. Eu quero pertencer aos lugares que habito, mas não desejo permanecer neles para sempre. É sufocante pensar em jamais sair, mas também angustiante deixar o que já conheço.
Complicado, né?
E aí reflito: existe mesmo um mundo ideal? Será que algum dia vou me sentir plenamente satisfeita? Será que haverá um momento em que, enfim, descansarei e verei o sol nascer em um universo agradecido, como diria Thanos?
A verdade é que não sei. Mas me conhecendo como me conheço, imagino que não. Sempre vou querer algo mais. Sempre haverá um dia em que acordarei e sentirei que poderia estar em outro lugar, vivendo outra vida. Sempre haverá uma sensação de atraso.
Mas também sei que, em algum momento, o sol voltará a brilhar para mim.
E Tim Bernardes traduz isso com uma delicadeza que parece até que a música foi escrita para mim:
“Eu vou voltar, eu vou voltar
Eu vou voltar a ser feliz, eu quero ser mais calmo
Eu estou cuidando de mim mesmo
Eu vou sonhar, eu vou sonhar mais uma vez
Porque se o sonho acabou
Não é um sonho velho que vai acabar comigo
Eu vou mudar, eu já mudei, estou mudando
A vida é feita para aproveitar
E, de algum jeito, acho que estou aproveitando.”
talvez você já me conheça de outros textos, mas este é o diário de uma vivente que acredita que a arte cura e encontra, em músicas, filmes e livros, a voz para aquilo que minha cabeça barulhenta insiste em guardar.

Pernambucana, formada em Contabilidade com especialização em Romances Incríveis. Aprendeu a ler aos 4 anos e desde então não parou mais.

